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O POETA DO PÁSSARO E DO AZUL Dizem que os nomes dos livros, especialmente os de poesia, são indicações básicas para a descoberta do que deseja transmitir o autor. Barros Pinho acaba de escrever uma “carta do pássaro”. Ora, se é verdade que os nomes dos livros decifram seus autores, pode ser que Barros Pinho não seja a exceção. Nesse livro existe uma proposta de interdisciplinaridade com as ilustrações bonitas de Vera Andrade. Os pássaros pintados são esboços fortes na cor azul. Tinha que ser. O poeta das “barrancas do rio Parnaíba” procura em seu novo livro, uma imersão lírica, entremeadas de concretudes, na sua própria vida, pelo menos a vida que conta. E diz que “só escrevo diário em verso” (p. 63, o sol da manhã). E diz também no poema “o pássaro”, p. 45: “não sei como sou não sei”, mas sabe(p.60) que uma bicicleta com asas anda no meu outono”. Vê-se, na releitura da leitura, que há no diário poético de Barros Pinho a necessidade de sobrevoar a sua vida, vendo-a de cima com olhar privilegiado, de torná-la verso e se vale de um pássaro e de uma bicicleta com asas para, altaneiro, ver com os olhos da alma aquilo que ainda não soube aclarar. João Soares Neto |